O futuro chegou. E agora?

 

 

Conheci a Singularity University na viagem que fiz ano passado à Califórnia. Na programação do evento havia a possibilidade de visitar o campus. Eu não fiz a visita mas pude conversar com quem esteve lá. Fiquei bastante impressionada com os temas que vem sendo estudados naquele local: produção de órgãos vitais em impressoras 3D, produção de carne animal em laboratório, reconhecimento facial de peixes... Parece até episódio dos Jetsons.

 

Semanas atrás estive no Singularity University Summit que aconteceu em São Paulo e tive ainda mais certeza de que futuro já chegou! O evento trouxe discussões e trocas de experiências sobre o potencial brasileiro em áreas cruciais para o desenvolvimento do país. Temas como Inteligência Artificial e o futuro da aprendizagem, tecnologia blockchain, biologia digital, futuro da mobilidade, economia exponencial, segurança cibernética, futuro dos alimentos, desafios da transformação corporativa, energia, realidade aumentada e virtual, o poder e implicações da mudança exponencial e muito, muito mais.

 

Tudo isso para dar uma perspectiva sobre a inevitabilidade de tecnologias exponenciais em nossas vidas. Eu voltei de lá extasiada! Com o desejo urgente de aprender cada dia mais e fazer parte dessa transformação que está acontecendo embaixo dos nossos olhos.

 

Dentre os muitos palestrantes do evento, alguns chamaram mais a minha atenção e eu gostaria de compartilhar o conteúdo com vocês. Senta que lá vem história.

 

Jeffrey Rogers, diretor de desenvolvimento da SU, alertou que estamos assistindo à chegada de novas tecnologias e suas aplicações como espectadores. Ele afirma que segredo para se adequar à revolução tecnológica é encontrar propósito no trabalho, porque no final, quem pensa em soluções são as pessoas, a tecnologia só ajuda. Para isso devemos parar de pensar de forma linear. Hoje é mais importante do que nunca ter uma visão ampla e questionar que tipo de futuro queremos e podemos criar.

 

John Hagel, Diretor da Deloitte, sugeriu que invés de formular o tradicional plano de cinco anos, as empresas devem lidar ao mesmo tempo com duas linhas do tempo. Uma vai de seis a doze meses, e determina os objetivos imediatos, diante do cenário existente hoje/agora. A outra se refere ao que vai acontecer em 10-20 anos, e permite às empresas formular previsões, ações e determinar os recursos que serão necessários a longo prazo. Outra estratégia sugerida por Hager para lidar com as mudanças é escanear o ecossistema e encontrar parcerias. Segundo ele, ao colaborar com outros empreendedores e líderes, você conquista mais rapidamente novas habilidades e expertise que são essenciais para um mundo em revolução. Ele afirma que hoje a maioria das empresas disruptivas captam os seus recursos por meio de parcerias. O consultor concluiu que em um mundo de constante mudança, a figura do líder tem papel fundamental! Ele é aquele que faz as melhores perguntas e admite não ter todas as respostas. Ele estimula as pessoas a encontrarem suas próprias soluções.

 

O responsável pelo programa de Empreendedorismo e Inovação da SU, Pascal Finette, falou sobre disrupção e trouxe uma série de insights valiosos:

- Não veja o mundo com as lentes do passado. A próxima vez que você ouvir ‘já tentamos isso, mas não deu certo’ pense duas vezes. A ideia nunca será a mesma. O mercado terá mudado, assim como as pessoas.

- Não deixe os concorrentes fazerem o trabalho por você. Grandes inovações não ocorrem do dia para a noite.

- O que mais importa são as pessoas. Para ter sucesso, é preciso trabalhar o propósito e garantir que o time o entenda.

- Erre mas aprenda com o erro. Até do ponto de vista neurológico, é mais produtivo se concentrar no que podemos tirar de bom de um projeto que não deu certo. Focar no que deu errado nos faz evitar tomar novos riscos.

- Comece pelo mais difícil. Assim o time vai ter certeza se tem capacidade para realizar o projeto.

- Abrace o caos. Uma organização baseada num comando central não funciona mais. Hoje, faz mais sentido pensar em um modelo como uma revoada de pássaros. As aves se movimentam adaptando-se ao ambiente e olhando para os outros pássaros ao seu redor. Não há como fugir do caos, é preciso abraçá-lo. Levar ordem a ele. Assim, é possível ser muito mais inovador e construir algo com maior escalabilidade.

 

Outro palestrante que gerou muitas anotações em meu caderninho foi Taddy Blecher que falou sobre educação exponencial. Blecher fez duras críticas ao sistema tradicional de educação e foi categórico em afirmar que a educação como não funciona para a economia de hoje. O que acontece é que algumas pessoas têm acesso à educação moderna e desenvolvem mais habilidades do século XXI e, portanto, têm mais chances de sucesso. Contudo, maioria da sociedade vai para escolas comuns e antiquadas: estudantes com livros didáticos, um professor de pé na frente da lousa e provas que cobram conteúdo decorado. Isso não desenvolve as pessoas para a economia moderna. Blecher afirma que a educação vai mudar o foco do conteúdo para habilidades. As empresas vão contratar mais pelas competências e habilidades do que pelo conhecimento. São competências e soft skills, como criatividade, solução de problemas complexos, negociação, habilidade para trabalhar em equipe, inteligência emocional, empatia e liderança.

 

Murilo Gun também enriqueceu o evento com seu conteúdo sobre criatividade. Com uma fala leve e engraçada ele mostrou como a criatividade é necessária para a solução de problemas. Ele enfatizou a importância do profissional ser curioso e assim desenvolver vasto repertório. Para ele, o adulto criativo é a criança que sobreviveu.

 

Tiffany Vora, chefe de departamento e vice-diretora de medicina da SU, falou de biologia digital e levantou discussões éticas da tecnologia de edição genética. Ela apresentou como exemplo os mosquitos e a possibilidade de editá-los geneticamente para não transmitirem mais doenças como dengue, zika ou malária.

 

Enfim, foram dois dias de muito conteúdo transformador. Três semanas depois e eu ainda estou digerindo e assimilando os insights que tive por lá. Para mim a maior lição deste summit foi de que o futuro já chegou! Pode ser que alguns ainda não tenham percebido mas ele está aqui! O futuro está acontecendo enquanto estamos gerindo empresas sem clareza de propósito, enquanto não compreendemos ao certo o que é inovação, enquanto mantemos uma visão de mundo linear, enquanto educamos nossos filhos para decorarem matéria para prova.  

 

Alô! O futuro já chegou! E ele é exponencial. Você está pronto para lidar com ele?

 

 

 

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