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Costas eretas, ombros para trás



Jordan B. Peterson, professor de Harvard e da Universidade de Toronto, consultor da ONU e famoso escritor do best-seller “12 regras para a vida”, tem muito a nos ensinar através de sua experiência com psicologia clínica, e para isso escreveu seu livro contendo regras básicas sobre como “viver bem” e esse artigo é sobre sua primeira regra.

Em sua primeira regra, o autor trás para nós o interessante mundo das lagostas. A qual, sendo um animal que fica vulnerável a temporárias trocas de casco e com uma alimentação baseada em plantas e restos de animais, dependem de um bom território para a garantia de sua sobrevivência. Apesar do fundo do mar ser vasto, ainda sim, ocorrem disputas para melhores locais de moradia e caça entre a espécie de crustáceos.


A disputa constante entre estes animais, assim como em diversas outras espécies, incorre em um problema. Como ganhar ou perder sem gerar uma grande perda para ambos os lados? A resposta evolutiva foi a hierarquia de dominância.


Nas relações de disputa entre lagostas, elas desenvolveram mecanismos milenares para a resolução da competição constante por melhores territórios. Quando uma lagosta encontra outra que pode incorrer em embate, ambas soltam um líquido químico que informa ao seu oponente características como sexo, tamanho, saúde e humor. Se mesmo dessa forma decidirem continuar no embate, ambas entram em uma dança avançando com suas pinças dobradas para fazer a outra recuar, até ocorrer o embate de fato. No qual, ambas tentam agarrar uma parte do corpo da lagosta adversária e arrancá-lo. Neste ponto, fica claro qual lagosta é a campeã.



A lagosta perdedora não importa quão agressiva esteve durante a batalha, hesitará em entrar em um embate novamente, até mesmo com um oponente que já derrotou antes. Se era uma lagosta confiante antes da luta, a derrota pode fazer ocorrer mudanças graves no seu cérebro, dando lugar a um subordinado. Isso pode ser explicado pelos hormônios liberados pelas lagostas.


A química do cérebro da lagosta campeã difere da lagosta perdedora e isso reflete na postura de cada uma delas. Há dois elementos que exercem influência nos neurônios da lagosta: a serotonina e a octopamina. A vitória aumenta o primeiro em relação ao segundo.


A serotonina regula sua flexão postural. A lagosta com boa postura estende seus apêndices para que aparente ser grande e poderosa. Uma baixa proporção de serotonina produz uma aparência de derrota e inibição. Ambos hormônios também são responsáveis pelo reflexo da cauda, seu mecanismo de fuga, lagostas perdedoras precisão de menos estímulos para fugir. Ou seja, estão sempre prontas para fugir quando as coisas não saem como o esperado.


A partir daí a hierarquia de dominância é construída, lagostas que venceram tem mais probabilidade de ganhar a próxima disputa, enquanto a lagosta que perde, agora com postura reprimida, tem mais chances de ser derrotada no futuro. As posturas pomposas e eretas da lagosta com altos níveis de serotonina indicam para as outras que com esta não será uma boa ideia confrontá-la. Assim, o topo da hierarquia recompensa a vitória com o melhor território, melhor caça e fêmeas para geração de descendentes.


O que Jordan Peterson quis dizer com toda essa história de crustáceos?

Simples, como lagostas são criaturas com 350 milhões de anos de existência, fica claro que a natureza formulou um mecanismo de seleção que serve para todas as espécies. Incluindo a humana.


Há uma calculadora ancestral, bem na base do nosso cérebro que monitora exatamente onde estamos posicionados na sociedade. Essa calculadora primordial observa como você é tratado pelos seus iguais, com essa evidência, fornece uma determinação de valor e designa um status de pertencimento. Se você é julgado pelos seus iguais como de pouca importância, a calculadora restringe a disponibilidade de serotonina. Isso faz que você fique muito reativo, preparado para qualquer emergência, especialmente em circunstâncias negativas. Já que emergências são comuns na base, você deve estar preparado.


Infelizmente, uma hiper-reação-física, de estar constantemente alerta, consome muito dos recursos energéticos e físicos. Como geralmente chamamos, estresse. Assim, a calculadora entende que o menor impedimento inesperado pode gerar uma série de eventos negativos, o qual você vai ter que lidar sozinho. Dessa forma, você estará muito mais propenso a gastar um montante de energia na possibilidade de ação de pânico imediata no presente. Quando não sabe o que fazer, você deve estar preparado para fazer qualquer coisa, caso seja necessário. Seu cérebro ancestral agora durante as crises do presente, gastará a energia necessária para sua saúde do futuro. Isso o tornará impulsivo. Pulando em qualquer oportunidade de prazer a curto prazo mesmo que de forma imprudente. As demandas físicas do presente o consumiram de todas as formas.


Enquanto indivíduos de mais altos status eles entendem que seu nicho é seguro e produtivo, as chances das coisas darem errado são mínimas e devem ser desconsideradas. A mudança pode ser uma oportunidade e não um desastre. A serotonina flui perfeitamente. Isso o deixa confiante e calmo, permanecendo alto e ereto, sem o alerta constante. Uma vez que sua posição é segura, o futuro tem boas chances de ser bom e a necessidade de desperdício de energia no presente é reduzida.


Pessoas que se comportam como perdedoras tem mais chance de deixarem a vida e a natureza tratá-las e levá-las a qualquer lugar. O medo as faz mergulharem em um mar de vícios e fugas imediatas.


Levantando a cabeça

Peterson ao final do capítulo dedica-o ao ato metafísico de “levantar a cabeça”.


Pessoas sofrem bullying porque não conseguem revidar. Isso pode acarretar em um temperamento compassivo e abnegado e pode gerar muitas emoções negativas para quem sofre. (Crianças que choram com facilidade sofrem bullying com mais frequência.) A demonstração de vulnerabilidade pode ser um atrativo para pessoas tirânicas. Se você consegue morder, geralmente não precisa fazê-lo. Quando há habilidade de reagir a agressão, a violência diminui. Se você disser não logo no início do ciclo da opressão, então o escopo do opressor ficar seriamente delimitado. Nesses casos, o escopo de inofensibilidade deve ser reorganizado. Se uma pessoa se enxerga como uma pessoa perigosa, o medo diminuirá. Assim, desenvolverá respeito por si própria.


Se você se portar com uma postura de lagosta derrotada, é mais provável que irão lhe atribuir um baixo status, e sua calculadora também irá lhe atribuir um número baixo de dominância. Seu cérebro não produzirá serotonina. Isso o fará mais triste, ansioso e com menos chance de se defender.


A emoção é em parte, a expressão corporal e pode ser amplificada ou diminuída por ela. Se sua postura for ruim, costas curvadas, ombros caídos, peito para dentro e cabeça baixa, você aparentará ser pequeno, logo as pessoas o enxergaram dessa forma. Se começar a se alinhar, elas o olharam de forma diferente.



O ato de posturar-se e erguer a cabeça é algo não só fisiológico, como também espiritual. Demonstra que você está pronto para encarar a tragédia da vida e preparar-se para o desafio ao invés de reagir a uma catástrofe. Claro, que somente a postura não é o único fator preponderante para subir da hierarquia de dominância, mas é uma atitude início para erguer-se perante o mundo.


Significa realizar, voluntariamente, os sacrifícios necessários para ter uma vida produtiva e relevante. Dominar seu próprio ser, fortalecer-se e encorajar-se para ter um amanhã preenchido com sentido e repleto de valor. Levante a cabeça e mantenha as costas eretas e ombros para trás.


“Então, você poderá aceitar o terrível fardo do Mundo e encontrar a alegria.” – Jordan B. Peterson
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