Reflexões na porta da escola

October 18, 2017

 

Estou na recepção da creche do meu filho e pensando o quanto podemos aprender com as crianças. Ele está na semana de adaptação e isso quer dizer que fico algumas horas do dia esperando enquanto ele vai se acostumando com o novo ambiente. E eu vou me acostumando com a ideia de que ele está crescendo e já vai até para a “escolinha”.

 

Nesse tempo de espera vejo pais, mães, tios, avós deixarem as crianças e fico encantada com a riqueza que é a infância. Algumas crianças chegam sonolentas, outras superespertas. Algumas correm para os braços da “tia”, outros não querem largar as mães... E isso muda ao longo dos dias. O sonolento de ontem chegou bastante animado hoje. O que não queria largar a mãe, entrou correndo e nem deu tchau.

 

Fiquei pensando em características da infância que perdemos ao longo da vida e o benefício delas para o ambiente de trabalho. Primeiro a adaptabilidade. Que coisa impressionante é a capacidade de adaptação das crianças! Basta dizer que em três dias de creche a mãe aqui derramou mais lágrimas que o filho. Que o desmame que parecia impossível foi muito mais fácil para ele do que foi para mim. Com crianças bastam alguns ajustes consistentes e a mudança acontece. Conosco o nível de racionalização e resistência tende a ser muito maior.

 

Outro aspecto é a curiosidade. Crianças querem saber! Mexem, tentam desvendar ou simplesmente perguntam. Meu Ben diariamente solta um “quê isso?” quando se depara com um objeto novo e fica com os olhinhos vidrados em quem está explicando. Quando é que perdemos esse interesse em saber sempre mais? Entender os porquês? Entender como as coisas funcionam? Imagine quantos erros e falhas na comunicação evitaríamos.

 

Entusiasmo: outra característica em falta! Vibrar com as pequenas conquistas. Se encantar com as coisas mais simples. Sorrir com os olhos com a beleza do mundo cotidiano. Para eles, alcançar a maçaneta da porta, um banho de mangueira, a borboleta que voa no ar. Para nós, a conquista de um novo cliente, a resolução de um problema mais difícil, a alegria de poder trabalhar e conviver com gente bacana.

 

E a facilidade em se relacionar? Bastam alguns minutos e grandes amizades podem surgir. Ou não. Pode ser só um colega para brincar naquela festinha de aniversário. Muitas gargalhadas e diversão e talvez nunca mais se vejam, mas o importante é que aquele momento foi aproveitado sem muitas barreiras.

 

Eu poderia continuar esta lista e enumerar muitas outras características, mas lá vem um molequinho cacheado correndo na minha direção gritando ‘mamãe’ e precisamos comemorar mais esse dia de aprendizado. Dele e meu.

 

 

 

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